Análise de riscos de incêndios

Os grandes incêndios marcaram a história em nossa nação e em outros países, como o fogo da construção de Joelma no cidadão de São Paulo em 1974; O fogo de lojas de renderização em Porto Alegre em 1976; A boate kiss em Santa Maria no ano de 2013 e, mais recentemente, o incêndio no edifício Wilton Paes de Almeida, em maio de 2018, que deixou 7 mortos e 455 pessoas desabrigadas e o incêndio no Museu Nacional no Rio de Janeiro, em setembro de 2018, que destruiu grande parte da coleção histórica do museu e levou a cinzas parte dos 200 anos de história que foram deixados.



A tragédia que ocorreu em Santa Maria motivou várias mudanças no exercício de proteção contra incêndios no Rio Grande do Sul e no resto do país. Naquele momento, ele iniciou uma revolução na forma como a legislação seria uma proteção contra incêndio para a implementação de novas leis, resoluções técnicas e indicando as regras para minimizar a ocorrência de novas tragédias e evitar a prevenção.


Existem alguns métodos de análise de risco de incêndio, que são aplicados em diferentes situações ao redor do mundo. A escolha do método mais adequado pode ser feita pelo próprio especialista que está aplicando a análise, dependendo da qualidade e quantidade de informações disponíveis, do objetivo da análise e/ou das prioridades consideradas na edificação. Veja alguns dos métodos mais utilizados para este tipo de análise de risco:

  • O método de Análise de Risco Global de Incêndio é indicado para edificações antigas e/ou históricas.

  • Para todos os tipos de edificação método Gretener.

  • Para todos os tipos de edificação, o método FRAME é indicado.

  • Para todos os tipos de edificação, o método MESERI.

  • Para edificações hospitalares o método MERIH é o indicado.

  • O método ARICA é indicado para edificações históricas.

Análise de Risco Global de Incêndio

O método leva em consideração que não há meios para interferir estruturalmente em construções antigas para aumentar a segurança contra incêndio ou até mesmo instalar novos sistemas de prevenção contra incêndio. Por esta razão, a análise de perigos de incêndio nestas construções antigas visa definir os parâmetros de intervenção pública ou privada que possam alterar favoravelmente uma situação que seja considerada de risco inaceitável.

No entanto, pela importância patrimonial agregada a tais monumentos, as intervenções não podem ser decididas apenas pelos profissionais de segurança contra incêndio, pois não é tão simples assim, mas requerem um consenso entre estes profissionais e os especialistas na área de patrimônio histórico.

Método de Gretener

Método idealizado para a execução dentro de indústrias, foi posteriormente adaptado e se tornou a metodologia mais conhecida para análise de risco de incêndio e amplamente aplicado por seguradoras para avaliação de seguros neste campo, devido ao seu grande leque de aplicabilidade. Pode ser utilizado para avaliação de risco de incêndio em edifícios de uso coletivo com grande densidade populacional (concentração de público, centros comerciais, transitórios, hospitalares, escolares, etc.), assim como indústrias e depósitos.


Trata-se de um método de avaliação que analisa a edificação isoladamente, sem considerar as possíveis interferências de construções ao redor. Tem a vantagem de poder ser usado para avaliar apenas uma parte da edificação ou o edifício completo.

A análise pelo Método de Gretener considera o tipo de conceito da edificação, o risco potencial do edifício e seu conteúdo e as medidas contra o desenvolvimento do incêndio (normais, especiais e de construção). Estes fatores são a base para determinar o risco de incêndio no local estudado.


Este método de análise do risco de incêndio foi desenvolvido pelo engenheiro Max Gretener, em 1960, enquanto o mesmo era diretor da Associação de Proteção Contra Incêndio da Suíça.

Método FRAME

Um diferencial deste método é que, além de possibilitar a evacuação de pessoas, ele também visa a proteção da construção em si e da atividade desenvolvida nela, prevendo, inclusive, o custo operacional de interromper ou realocar a atividade por causa de um incêndio.


Este método distingue três tipos de risco:

  • O conteúdo e sua edificação propriamente dita;

  • A população que a utiliza (ocupantes);

  • A atividade desenvolvida.

Cada um destes três riscos é analisado separadamente porque o pior cenário em um incêndio, bem como a melhor forma de proteção, pode ser diferente para os três sujeitos (edificação, pessoas e atividade desenvolvida). Para a edificação e seu conteúdo, o pior cenário é a destruição total. Para os ocupantes da edificação, qualquer princípio de incêndio já pode ser entendido como o pior cenário. Para a atividade desenvolvida, um incêndio que danifique o espaço ou equipamento, mesmo que não ocorra a destruição total, já pode ser extremamente prejudicial.

Método MESERI

A análise do risco de incêndio, seja de uma instalação industrial ou de qualquer outro tipo, envolve o cumprimento de três etapas. Em primeiro lugar, é imprescindível a fiscalização do risco e a coleta sistemática de informações sobre ele: possíveis fontes de ignição, combustíveis presentes, atividades realizadas, processos, edifícios, instalações de proteção, organização de segurança, etc.


Segue-se a fase de estimação ou avaliação da magnitude do risco, que pode ser qualitativa ou quantitativa, para finalmente proceder à emissão do juízo técnico da situação, especificado em relatório no qual se expressam os resultados da análise de forma mais ou menos detalhada.


Em algumas ocasiões, e dependendo da finalidade do relatório, não só são incluídas as observações feitas durante a fiscalização e o cálculo dos efeitos esperados, mas também as medidas que a propriedade deve considerar para reduzir a probabilidade de ocorrência do incêndio ou, se isso ocorrer, para limitar sua extensão.


O método MESERI pertence ao grupo de métodos de avaliação de risco conhecidos como "esquemas pontuais" que se baseia na consideração individual, por um lado, de vários fatores que geram ou agravam o risco de incêndio, e por outro, daqueles que reduzem e protegem contra riscos.


Chegamos a conclusão que em todos os casos é necessário uma análise criteriosa de cenários de possíveis incêndios, pois, o que está em jogo em uma situação alarmante, são os grandes prejuízos patrimoniais e principalmente as pessoas envolvidas.